5  Microirrigação

Este método de irrigação também é amplamente conhecido como irrigação localizada, e se caracteriza pela aplicação da água diretamente ao solo na região radicular da cultura. A aplicação é realizada em pequenas intensidades (baixa vazão) e altas frequências (intervalos pequenos), mantendo a umidade do solo próxima ao limite superior da água no solo (capacidade de campo).

As vazões comuns para sistemas de gotejamento vão de 1 a 20 L/h e para microaspersão, de 20 a 150 L/h.

5.1 Vantagens

Uma das principais vantagens é o potencial de maior eficiência no uso da água, pois somente uma parte da superfície do solo é molhada, o que diminui a evaporação direta da água no solo, já que não irriga as entre linhas.

Também permite uma maior produtividade ao manter a umidade do solo alta, especialmente para as culturas mais sensíveis à falta de água.

Possibilita o uso da fertirrigação e quimigação, melhorando a prática de adubação e de tratamentos fitossanitários.

Por não molhar as folhas das plantas, contribui para uma melhor sanidade das plantas, diminuindo o risco de aparecimento de algumas doenças e pragas. E por não molhas as entre linhas, diminui o aparecimento de plantas daninhas. Ainda, não interfere nas práticas culturais, como capina, colheita, pulverizações, etc.

Permite o uso de água salina, por manter a concentração de sais no bulbo molhado baixa.

Economiza mão-de-obra, por tratar-se de sistemas fixos.

5.2 Desvantagens

Por outro lado, sistemas fixos têm custo de instalação bastante elevado, logo, deve-se atentar para a viabilidade do sistema.

A distribuição do sistema radicular fica concentrado no bulbo molhado, podendo diminuir a estabilidade de plantas, principalmente das árvores.

Os gotejadores, por conterem peças de diâmetro diminuto, são bastante suscetíveis ao entupimento. Este pode ser de origem física, química ou biológica e tem como consequência a baixa uniformidade do sistema. Por isso, exige-se sistemas de filtragem da água utilizada na irrigação por gotejamento para minimizar este problema.

5.3 Componentes do sistema

Os sistemas, por serem pressurizados, frequentemente precisam de um conjunto motobomba. Logo após, está o cabeçal de controle, onde estão localizados o sistema de filtragem e o sistema de injeção, no caso da fertirrigação.

Na sequência, estão as tubulações. Na maioria dos casos, são utilizados tubos plásticos de PVC (rígido) ou polietileno (mais flexível).

Por fim, os emissores, que podem ser do tipo gotejador ou microaspersor, são os principais componentes do sistema.

5.4 Gotejador

O gotejador tem a função de dissipar a pressão e emitir uma vazão pequena e constante.

Representação de diferentes tipos de gotejadores.

Podem ser instalados sobre a linha (Figura @ref(fig:5-gotejador) a esquerda) ou integrados ao tubo da linha lateral (Figura @ref(fig:5-gotejador) a direita).

Os gotejadores podem ser caracterizados por uma relação entre pressão e vazão, obtida experimentalmente e, geralmente, informada nos catálogos dos emissores. A equação que rege esta relação é do tipo potência:

\[ q = K \cdot H ^x \]

em que:

  • q - vazão
  • H - pressão
  • K e x - constantes específicas de cada emissor

Existe um tipo específico de emissor cujo expoente da equação é igual a 0 (zero), ou seja, que sua vazão não é afetada pela variação da pressão. Este emissor é denominado autocompensante, pois as variações na pressão são compensadas para que a vazão emitida seja constante.

5.5 Microaspersor

É muito semelhante ao aspersor convencional, no entanto, tem tamanho reduzido. A forma com que é instalado e realiza a aplicação da água é de forma localizada, por isso é tratado neste capítulo.

Microaspersão em pomar.