5  Pivô central

O pivô central é um sistema de irrigação por aspersão com movimentação circular e autopropelida em torno de um ponto fixo. Consiste em uma única linha lateral com vários aspersores, cujo comprimento varia tipicamente entre 200 e 800 metros, sendo o padrão de 400 metros o mais comum mundialmente.

Fonte: Center Pivot Systems, Bahia State - NASA Science. Disponível em: https://science.nasa.gov/earth/earth-observatory/center-pivot-systems-bahia-state-86600/

5.1 Principais componentes do Pivô Central

5.1.1 Ponto Pivô e Painel de Controle

O ponto pivô é a unidade de ancoragem, geralmente instalada sobre uma base de concreto.

Anel Coletor: Essencial para a operação elétrica, permite a transmissão contínua de energia enquanto a máquina gira 360°, impedindo a torção de cabos.

Painel de Controle: Atua como o “cérebro” do sistema, gerenciando a velocidade da última torre, o sentido de rotação e integrando sensores de segurança.

Center Pivot Irrigation Hub

5.1.2 Vãos e Torres

Vãos (Spans): Seções de tubulação (aço galvanizado ou alumínio) sustentadas por treliças em formato de arco, o que distribui o peso uniformemente.

Torres de Sustentação: Estruturas em “A” equipadas com rodas pneumáticas de alta flutuação. Cada torre possui um motor elétrico autônomo (0,5 a 1,5 cv).

5.1.3 Sistema de Alinhamento e Movimentação

A movimentação é coordenada por ciclos de alinhamento e desalinhamento. Quando a torre externa se desloca, uma haste de controle ativa uma microchave (run microswitch) na torre subsequente, mantendo a linearidade da tubulação.

5.2 Dinâmica da Aspersão e Intensidade de Aplicação

O desafio hidráulico central é aplicar a mesma lâmina de água em áreas que percorrem distâncias radiais distintas. Consequentemente, a vazão dos aspersores deve aumentar proporcionalmente à distância em relação ao centro.

Exemplo 5.1 (Área irrigada por um pivô central.) Um pivô central possui uma linha lateral com 522 m de comprimento. Qual a área irrigada por este pivô central, considerando:

  1. Sem canhão final, com o último aspersor com raio de alcance de 7,5 m e instalado ao final da linha.

  2. Com canhão final, cujo raio de alcance é de 30 m.

Solução:

  1. Sem canhão:

Para calcular a área total irrigada, devemos considerar o raio da linha lateral somada à contribuição efetiva do último aspersor (75% do raio de alcance):

\(R = R_{linha} + (0,75 \cdot R_{aspersor}) = 522 + 0,75 \cdot 7,5=527,62 m\)

Cálculo da Área:

\(A = \pi \cdot R^2 = \pi \cdot 527,62^2 = 874566,00 m^2 = 87,50 ha\)

  1. Com canhão

Neste caso, devemos considerar o raio da linha lateral somada à contribuição efetiva do raio de alcance do canhão (75% do raio de alcance do canhão):

\(R = R_{linha} + (0,75 \cdot R_{canhão}) = 522 + 0,75 \cdot 30=544,50 m\)

Cálculo da Área:

\(A = \pi \cdot R^2 = \pi \cdot 544,50^2 = 931420,00 m^2 = 93,10 ha\)

Exemplo 5.2 (Vazão necessária para um pivô central.) Considere o pivô central do exemplo anterior (sem canhão, Área = 87,5ha). Calcule a vazão necessária sabendo-se que:

  • ETmáxima= 6 mm/dia
  • Eficiência = 80%
  • T = 24 horas
  • Tr = 20 horas

Solução:

\(Q =\frac{A \cdot ET}{EA}\cdot \frac{T}{Tr}\cdot\frac{10}{24} =\frac{87,5 \cdot 6}{0,8}\cdot \frac{24}{ 20}\cdot\frac{10}{24} = 328,12 m^3/h\)

Exemplo 5.3 (Vazão dos aspersores.) Considere o pivô central dos exercícios anteriores (sem canhão), com uma linha lateral de 522 m de comprimento (raio base = 527,62 m), cuja vazão necessária é de 328,12 m3/h. Os aspersores estão espaçados, uniformemente, 2,8 m entre si. Deseja-se calcular a vazão unitária (\(q_i\)) para os emissores situados nas seguintes distâncias do ponto do pivô: 28, 140, 280 e 420 metros (posição 10, 50, 100 e 150).

Solução:

Cálculo para a posição 10: \(R_i\) = 28

\(q_i=\frac{2 \cdot Q_b \cdot s}{R_b^2}\cdot R_i = \frac{2 \cdot 328,12 \cdot 2,8}{527,62^2}\cdot 28 = 0,185 m^3/h\)

Resultado para todas as posições:

Posição Distância do Pivô (m) Vazão do Emissor (\(m^3/h\))
10 28 0.185
50 140 0.924
100 280 1.848
150 420 2.772

Exemplo 5.4 (Tempo de revolução e Lâmina bruta aplicada.) Considere o pivô central dos exercício anteriores (sem canhão final), com linha lateral de 522 m e aplicando uma vazão de 328,12 \(m^3/h\) em uma área de 87,5 ha. Sendo 280 m/h a velocidade máxima da última torre (percentímetro 100%), calcule os tempos de revolução e as lâminas brutas aplicadas para as velocidades percentuais de 100%, 90%, 80%, 70%, 60% e 50%.

Solução:

Cálculo para a regulagem 100%:

  • A velocidade da última torre é: \(V = V_m*percentímetro = 280* 100/100 = 280 m/h\)

  • O Tempo de revolução é: \(T_r = \frac{2 \cdot \pi \cdot R_u}{V_u} = \frac{2 \cdot \pi \cdot 522}{280} = 11,8 h\)

  • A Lâmina bruta aplicada é: \(h = \frac{Q \cdot T_r}{A \cdot 10} = \frac{Q \cdot 11,8}{A \cdot 10} = 4,4 mm\)

Os resultados calculados para cada configuração são apresentados abaixo:

Percentímetro (%) Velocidade (m/h) Tempo de Revolução (h) Lâmina Bruta (mm)
100% 280 11.8 4.4
90% 252 13.2 4.9
80% 224 14.8 5.5
70% 196 16.9 6.3
60% 168 19.7 7.4
50% 140 23.7 8.9

Exemplo 5.5 (Intensidade de aplicação.) Considere o pivô central dos exercícios anteriores, com tempo de revolução de 11,8 horas (percentímetro = 100%), aplicando uma lâmina bruta de 4,4 mm. A largura da faixa molhada (\(W_j\)) é de 15 m.

Deseja-se calcular o tempo de oportunidade de molhamento e a intensidade de aplicação nos pontos situados a 50, 100, 200 e 400 metros do pivô.

Solução:

Cálculo para a distância de 50 m:

  • Tempo de molhamento: \(T_m = T_r \cdot \frac{W_j}{2 \cdot \pi \cdot R_j} = 11,8 \cdot \frac{15}{2 \cdot \pi \cdot 50} = 0,5634 h = 33,8 min.\)

  • Intensidade de aplicação: \(I_a = \frac{h_b}{T_m} = \frac{4,4}{0,5634} = 7,8 mm\)

Os resultados para cada ponto estão detalhados na tabela abaixo:

Tempo de Molhamento
Distância (m) horas minutos Intensidade (mm/h)
50 0.5634 33.8 7.8
100 0.2817 16.9 15.6
200 0.1409 8.5 31.2
400 0.0704 4.2 62.5

Nota: É importante observar que a mudança na velocidade do pivô central (percentímetro) altera o tempo de revolução e a lâmina aplicada, mas não altera a intensidade de aplicação, pois esta depende das características técnicas dos emissores e da geometria do sistema no ponto avaliado.